meu 2025 wrapped
tudo que eu mais amei consumir, de todas as formas possíveis de cultura
Queridos leitores, não tenho nem desculpas para explicar o meu sumiço – a inspiração que chega sempre tem sido direcionada para alguma área um pouco mais pendente, o que me quebra um pouco o coração em revelar. Quando lembro desse espaço tão importante, a chama se reacende, mas os compromissos de fim de ano acabam me desanimando um pouco de aparecer por aqui. No entanto, não quero terminar o ano em uma nota triste, porque só o universo sabe o quanto eu preciso de uma energia positiva e otimista.
Existe uma vontade pulsante dentro de mim de tentar migrar um pouco para uma abordagem mais jornalística por aqui – tenho feito uma movimentação importante para me dedicar ao meu amor pelo jornalismo cultural, então penso em usar minha plataforma para compartilhar algumas das ideias que os editores não se interessam muito por, mas que eu sinto que são histórias interessantes de todo jeito. Os textos mais reflexivos e pessoais não vão a lugar nenhum, mas talvez eles precisem aprender a dividir o espaço com outro lado (muito) importante da minha vida. Dito isso, vamos terminar o ano de 2025 com um emaranhado de todas as minhas coisas favoritas. Sigamos!
Melhores livros que li
O ano que conheci a Clarice Lispector vai ficar marcado comigo para sempre. Acho que eu me dediquei a encontrar com mais afinco o que eu mais amo na literatura, e no caminho encontrei obras tão pulsantes, honestas e lindas que genuinamente me emocionam. O poder da palavra na minha vida vai ser sempre a coisa mais importante do mundo para mim. Segue uma mini listinha das minhas leituras favoritas de 2025:
Novos favoritos da vida
Oração para Desaparecer, da Socorro Acioli
Água-viva, da Clarice Lispector
Tempo de graça, tempo de dor, da Frances de Pontes Peebles
Outros que amei
A Hora da Estrela, Clarice Lispector
Great Big Beautiful Life, da Emily Henry
Eu que nunca conheci os homens, da Jacqueline Harpman
Martyr!, do Kaveh Akbar
Caderno proibido, da Alba de Céspedes
Cabeça do Santo, da Socorro Acioli
Meus álbuns favoritos
Eu tendo a me precipitar com as minhas opiniões quando o assunto é música, e lidar com as consequências dessas opiniões é uma das lições que eu sempre vou poder entender um pouco melhor. Em junho, eu listei alguns dos meus álbuns favoritos até aquele momento, e tenho algumas adições para aprimorar esse panorama anual. I quit, o quarto álbum de estúdio das Haim, continua a ser o meu álbum favorito do ano. Cada acorde de baixo, cada riff de guitarra, cada batuque na bateria deixa em claro e bom tom o quanto as irmãs amam o que fazem. As três são talentosas por si só, mas a sinergia do encontro delas no estúdio ou no palco é bizarra.
No meu outro texto, eu também destaco o Coisas Naturais, da Marina Sena, e o Bloodless, da Samia, que me marcaram muito. Dentre os álbuns lançados na segunda metade do ano, eu preciso discorrer sobre o meu amor pelo Virgin, da Lorde, que eu continuo a amar muito – e o fato de vê-la no lolla ano que vem é o que aquece o meu coração. Também fiquei perdidamente obcecada pelo West End Girl, da musa Lily Allen, que foi uma delícia de dissecar.
Continuando no tema de aparentemente apenas ouvir mulheres, eu não poderia deixar de mencionar o LUX, que na minha opinião é a obra-prima da Rosália, e o THAT’S SHOWBIZ BABY!, da nova doll do pop JADE. Menção honrosa para o The Life of a Showgirl, que é com certeza o projeto mais fraco da Tay, mas continua sendo a Tay – e eu e ela vamos juntas até o fim. Por fim, neste fim de ano tenho ouvido muito o álbum Dominguinho, visto que cai no charme dos príncipes João Gomes, Mestrinho e Jota.pê.
Novos artistas que entraram na minha vida
Eu comecei o ano mergulhando na arte da Waxahatchee e me apaixonei perdidamente pelo mundo que a Katie Crutchfield criou. O projeto consiste em um emaranhado de influências do rock, folk e country norte-americanos, costurados pela voz mais linda, honesta, potente e delicada do mundo. Eu fiquei obcecada pelo álbum mais recente deles, o Tigers Blood, e recomendo de olhos fechados. Outra figura que entrou recentemente na minha vida é a divina Audrey Hobert, que faz música para quem quer se divertir com as letras e se envolver com as melodias. Ela é a esquisita mais perfeita do mundo e sinto como se fosse uma prima amada minha.
Além disso, me comprometi no início do ano a ouvir mais música nacional e, apesar de ainda não ter chegado aonde eu quero chegar, acredito ter dado mais orgulho para o meu país do que já fiz antes. Eu mergulhei com tudo na discografia da Marisa Monte, que me acompanha desde criança através dos meus pais, e fiquei cada vez mais encantada pela arte dela. Imagina dormir com a segurança de que você tem autoria das melhores melodias da história do Brasil – ela conhece a sensação. Senti o mesmo com a eterna Rita Lee durante o ano também.
Outros artistas que me conquistaram por diferentes razões e marcaram meu ano foram: The Sundays, The Marías, Addison Rae, Ney Matogrosso (uma sequência de dois nomes nunca escrita antes), Blood Orange, Djavan, Marina Lima e Tate McRae.
Melhores séries que vi no ano
Também já falei de algumas das séries que vi durante o ano, com destaque para as minhas amadas Ruptura e Hacks, que tiveram que descer um pouco no meu ranking por conta da estreia da melhor série do ano e provavelmente da década – Pluribus!!! A série é uma carta de amor do Vince Gilligan para a Rhea Seehorn (que eu acredito fielmente ser a melhor atriz viva), e funciona como um canva para ela mostrar o que tem de mais lindo no talento dela. Mas, além disso, é uma obra essencial para discussões sobre moralidade, vida coletiva, controle e poder. Além disso, ela é tecnicamente linda, feita na maioria por toda a equipe envolvida em Better Call Saul, a minha série favorita da vida.
Para além das estreias do ano, eu tomei um passo importante na minha vida de sommelier de séries, que foi assistir Twin Peaks pela primeira vez. Incrivelmente, esse foi um dos meus primeiros contatos com o universo do David Lynch e me dá um aperto no coração quando penso que não existirá outro igual a ele. Uma exploração da natureza humana, das alegorias do bem e do mal, da interseção entre o mundo real e o mundo dos sonhos das mais lindas que eu já vi. Laura Palmer e Dale Cooper mudaram a minha vida.
Ainda mais, nos últimos meses eu comecei The X-Files, que também é um marco na história televisiva, e que curiosamente não existiria sem que Twin Peaks tivesse vindo antes. Mulder e Scully estão me oferecendo uma das experiências mais extasiantes que vivi nos últimos anos, e me acompanhando nessa linda jornada da ficção científica como ferramenta para comentar sobre a vida humana na terra.
Filmes mais legais de se ver no cinema
Essa seção vai ser breve, porque televisão é mais importante que cinema e acho que já excedi minha estadia. A primeira visita ao cinema que me marcou esse ano foi a de Sinners (2025), e suspeito que o filme funciona melhor nas telonas do que qualquer coisa. Foi uma experiência comunal muito instigante, e ver a direção do Coogler naquela proporção foi uma delícia. Dos lançamentos do ano, eu fiquei extasiada vendo Uma Batalha Após a Outra (2025), me diverti muito vendo O Agente Secreto (2025) e fiquei muito comovida com o realismo mágico de O Último Azul (2025).
Minhas idas ao cinema que mais marcaram o meu ano foram através da linda iniciativa do Estação Net de relançar ou resgatar clássicos que eu sempre quis ver ou que amo muito e sempre quis presenciar na telona. Eu tive as lindas oportunidades de ver All About Eve (1950), Mulholland Drive (2001), Paris, Texas (1984), Blue Velvet (1986) e Rear Window (1954). Que vida linda!!!!!






Clarice 👏👏
somos alma gêmeas do audiovisual, dudy! simplesmente fiquei arrepiada com o último parágrafo.. filmes que mudam trajetórias de vdd.. vida eterna ao cinema a televisão e a rhea seehorn!!!!!